domingo, 29 de maio de 2011

Ataque à liberdade de expressão: Dono de distribuidora faz ameaças veladas a donos de bancas de Jundiaí

Carta é enviada a jornaleiros logo após reportagens polêmicas da Folha do Japi

Clique na imagem para ler a carta
- Redação Folha do Japi

Uma carta intimidadora aos donos de banca de Jundiaí, assinada pelo proprietário da principal distribuidora de jornais e revistas da cidade, a Distribuidora Paulista de Jornais e Revistas, causa polêmica na cidade.

Durante a semana passada, circulou por toda a cidade um aviso aos jornaleiros, repleto de ameaças veladas (confira a íntegra da carta à direita).

Citando “panfletos e jornais de cunho político” feitos para “atacar, caluniar e até ofender” e orientando para que não distribuam material com este perfil, o autor da carta, Paulo Lazarini, prega “cuidado com meios de informação para que não causem prejuízos aos negócios da categoria”. Ele lembra, também, que há “uma expectativa de melhoria na lei das bancas e que as bancas ficam em espaços públicos com alvará a título precário”, insinuando que podem ser retiradas a pela Prefeitura.

Estranhamente, a carta intimidadora foi divulgada logo após a imensa repercussão de manchetes da Folha do Japi que comparava a tarifa dos ônibus urbanos de Jundiaí com os de 27 capitais do país e a que antecipava o aumento da tarifa em Jundiaí, provocando muito debate na cidade. O jornal, atualmente, é um dos mais solicitados nas bancas, justamente pela postura imparcial que mostrou.

Considerado por muitos jundiaienses o único jornal independente da atual administração na cidade, a Folha do Japi não agrada aos atuais governantes, acostumados com a postura mais subserviente da imprensa local. Tal fato pode ter sido o propulsor para manifestações de medo e opressão como sugere a carta.

O autor do aviso, no entanto, nega que o conteúdo do texto tenha qualquer relação com o jornal. “Não falei da Folha do Japi e minha carta não foi ameaçadora. Apenas orientei”, nega Lazarini.

O episódio teve grande repercussão na internet, principalmente no facebook, onde foram travadas acaloradas discussões sobre o tema.

Folha do Japi 9

Nona edição da Folha do Japi.
Procure nas bancas, a partir de domingo.
Distribuição gratuita!

sábado, 21 de maio de 2011

Edição 8

Edição digital da Folha do Japi número 8.
A partir de domingo nas bancas. Peça ao seu jornaleiro!
Distribuição gratuita.

terça-feira, 17 de maio de 2011

As cidades são expressões da cultura e dos anseios de sua população

- por Beatriz Barberis Giorgi, arquiteta, com Mestrado na área de projeto, Vice Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, Núcleo Jundiaí e Membro do Conselho Municipal de Habitação da Prefeitura de Jundiaí

As cidades são formadas pelo que construímos, são expressões de nossa cultura, nossos anseios e necessidades. O espaço construído revela em sua proposta e sua beleza se causar prazer e felicidade para quem o vivencia.

A sensação de agrado vem de uma arquitetura que contribui para o conjunto construído, levando em consideração o contexto existente, com o intuito de valorizá-lo ou amenizá-lo em função da harmonia da paisagem em que está sendo inserida.

O arquiteto é responsável pelo seu projeto em relação à comunidade. Arquitetura não é somente a satisfação de seu cliente: é antes um compromisso ético para com a sociedade, pois forma o espaço urbano. Ao observarmos um edifício logo sabemos se nesse projeto houve preocupação com seu entorno, ou seja, com a integração com a paisagem existente.

Assim entendemos arquitetura inserida no contexto urbano, com um resultado de cuidado e atenção para com todos os detalhes de importância em termos de escala, estética e equilíbrio; ou, como recomenda  o arquiteto Lucio Costa, que o arquiteto procure transmitir ao conjunto edificado  “ritmo, expressão, unidade e clareza”, o que confere à obra o seu caráter de permanência. Como arte e desejo de propor soluções que, com os recursos oferecidos pelo desenvolvimento tecnológico, ofereçam resultados contemporâneos, símbolo de seu tempo e de contribuição para um aprimoramento cultural e social.

O que conta é o “talento do arquiteto”, isto é, a percepção que ele tem dos valores de sua época para manipular as técnicas e os materiais e assim formular o espaço a ser construído. A sociedade se verá refletida nos projetos que contenham tal percepção e, ao apreciá-los, poderá sentir-se prestigiada como cidadãos por se verem respeitados em suas necessidades.

*Publicado na edição número 6 da Folha do Japi

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Estudo de Impacto de Vizinhança: Com que cidade sonhamos?

- por Liane Makowski de Oliveira e Almeida, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), núcleo de Jundiaí

Nas últimas semanas, Jundiaí debruçou-se sobre a discussão do Estudo de Impacto de Vizinhança e Relatório de Impacto de Vizinhança (EIV/RIV, Projeto de Lei nº10779/2010). O EIV é um dos instrumentos urbanísticos previstos no Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257/2001), classificado como de gestão democrática. Isto é, institui a participação da população no processo de decisão sobre o destino da cidade.

O Estatuto da Cidade prevê o EIV para empreendimentos que o município classificar como gerador de mudanças significativas na dinâmica do bairro em que forem se alojar. Quando for se instalar e gerar impacto urbano, ambiental ou sócio econômico, seja por seu porte ou natureza (uso do solo, geração de viagens etc.), o poder público deverá exigir medidas mitigadoras e compensatórias. E, conforme o caso, a Prefeitura poderá não autorizar essa instalação. Essas medidas se estendem durante as fases das obras, prevendo-se canteiro de obras adequado, controle de circulação dos caminhões etc.

De acordo com o Estatuto da Cidade, o EIV deve conter, no mínimo, a análise dos impactos quanto ao adensamento populacional, os equipamentos urbanos e comunitários, o uso e ocupação do solo, a valorização imobiliária, a geração de tráfego, a demanda de transporte público, a paisagem urbana, o patrimônio natural e cultural. Ainda determina que a Prefeitura garanta o acesso aos documentos e à consulta pública junto à comunidade afetada.
O Zoneamento não consegue mediar todos os conflitos de vizinhança. Isto se agrava com o porte do empreendimento. Quanto maior, mais impacto sobre a vizinhança terá, interferindo na dinâmica urbana, com sobrecarga do sistema viário, saturação da infraestrutura urbana, poluição sonora, diminuição dos postos de trabalho, redução da renda etc. O EIV permite essa mediação entre os interesses do empreendedor e o direito à qualidade urbana dos moradores.

A par disso, devem-se ter alguns cuidados como:

1) A adoção de critérios adequados, não incluindo empreendimentos que pelo porte ou natureza podem ser regulados pelo Zoneamento. Distinguir os grandes e os megaempreendimentos, pois medidas desmesuradas podem prejudicar a instalação de empreendimentos que não geram incômodos.

2) A garantia de que a equipe que irá realizar o EIV/RIV seja idônea e tecnicamente competente, de que seja contratada pelo empreendedor, através de termo de referência definido pelo poder público com a definição metodológica de análise e a alocação de recursos materiais e humanos para a eficiente análise desses relatórios.

3) A adoção de mecanismos que garantam o objetivo primordial do EIV que é democratizar o sistema de tomada de decisão sobre a cidade, dando voz à população.
Em suma, deve-se ter em conta que a cidade pertence a todos, que é resultado de um pacto entre os diferentes setores. A decisão coletiva resulta numa cidade mais justa e com qualidade de vida.

*Publicado na edição número 2 da Folha do Japi

domingo, 15 de maio de 2011

Edição 7

Procure a edição impressa nas principais bancas de Jundiaí.
A distribuição é gratuita!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Filmes: "THOR"

FRAQUINHO

Filme tem roteiro ruim, desenho de produção feio e é cheio de situações forçadas

- por André Lux

É bem fraquinha essa adaptação de mais um personagem da Marvel. Não adiantou nada chamarem o outrora prestigiado diretor Kenneth Branagh, famoso por suas adaptações cinematográficas da obra da Shakspeare, porque a única coisa que ele fez de diferente foi entortar a câmera toda hora, ao ponto de irritar.

Mas a culpa nem é tanto do diretor, pois o roteiro é muito ruim e não dá a menor chance para os atores, além de ser incapaz de gerar qualquer envolvimento ou emoção. Cheio de diálogos constrangedores e situações forçadas, a trama vai capengando até o final óbvio - o embate entre o herói e o vilão. Mas, detalhe: ambos são imortais, portanto não dá para esperar muito dessa luta.

Não faz o menor sentido tentarem pintar Thor como um garotão arrogante e bobo, chegado a um bullying intergaláctico, só para inventarem uma desculpa para ele ser banido para a Terra (para diminuir os custos da produção), onde ele já chega de jeans e camiseta! Também não convence nem um minuto o romance entre ele e a cientista Jane, pois o fortão Chris Hemsworth e Natalie Portman tem química zero na tela.

A loucura do vilão Loki, meio irmão de Thor, também não convence, embora o diretor Branagh tente imprimir (sem sucesso) algum conflito shakespereano entre ele e o pai Odin (um Anthony Hopkins barbudo e caolho). O filme também tem um desenho de produção que tenta ser retrô, mas só consegue ser feio e brega (algumas cenas parecem desfile de escola de samba). Pior é a trupe de guerreiros amigos do Thor que parecem ter saído direto de uma montagem escolar de "O Senhor dos Anéis".

Desfile de escola de samba em Asgard?
Nem mesmo a trilha musical de Patrick Doyle, colaborador habitual de Branagh desde "Henrique V", chega a brilhar. Se não bastasse ter um material tão fraco para buscar inspiração, ainda fica óbvio que foi forçado pelos produtores a emular o "estilo" do abominável Hans Zimmer e seus clones, que atualmente fazem a cabeça de adolescentes que frequentam os cinemas.

Cheguei a ver alguns críticos dizerem que esse "Thor" é tão bom quanto o "Superman" do Richard Donner. Só pode ser brincadeira, porque este está muito mais para aquele desastroso filme do "He-Man" em carne e osso, estrelado pelo megacanastrão Dolph Lundgren. Por sinal, é incrível que a adaptação das aventuras do homem de aço, feita em 1978, consiga ter efeitos visuais mais criativos e bacanas do que algo feito com tudo que há de mais moderno em computação gráfica! Ah, velhos tempos...

Cotação: * *