terça-feira, 3 de maio de 2011

Filmes: "THOR"

FRAQUINHO

Filme tem roteiro ruim, desenho de produção feio e é cheio de situações forçadas

- por André Lux

É bem fraquinha essa adaptação de mais um personagem da Marvel. Não adiantou nada chamarem o outrora prestigiado diretor Kenneth Branagh, famoso por suas adaptações cinematográficas da obra da Shakspeare, porque a única coisa que ele fez de diferente foi entortar a câmera toda hora, ao ponto de irritar.

Mas a culpa nem é tanto do diretor, pois o roteiro é muito ruim e não dá a menor chance para os atores, além de ser incapaz de gerar qualquer envolvimento ou emoção. Cheio de diálogos constrangedores e situações forçadas, a trama vai capengando até o final óbvio - o embate entre o herói e o vilão. Mas, detalhe: ambos são imortais, portanto não dá para esperar muito dessa luta.

Não faz o menor sentido tentarem pintar Thor como um garotão arrogante e bobo, chegado a um bullying intergaláctico, só para inventarem uma desculpa para ele ser banido para a Terra (para diminuir os custos da produção), onde ele já chega de jeans e camiseta! Também não convence nem um minuto o romance entre ele e a cientista Jane, pois o fortão Chris Hemsworth e Natalie Portman tem química zero na tela.

A loucura do vilão Loki, meio irmão de Thor, também não convence, embora o diretor Branagh tente imprimir (sem sucesso) algum conflito shakespereano entre ele e o pai Odin (um Anthony Hopkins barbudo e caolho). O filme também tem um desenho de produção que tenta ser retrô, mas só consegue ser feio e brega (algumas cenas parecem desfile de escola de samba). Pior é a trupe de guerreiros amigos do Thor que parecem ter saído direto de uma montagem escolar de "O Senhor dos Anéis".

Desfile de escola de samba em Asgard?
Nem mesmo a trilha musical de Patrick Doyle, colaborador habitual de Branagh desde "Henrique V", chega a brilhar. Se não bastasse ter um material tão fraco para buscar inspiração, ainda fica óbvio que foi forçado pelos produtores a emular o "estilo" do abominável Hans Zimmer e seus clones, que atualmente fazem a cabeça de adolescentes que frequentam os cinemas.

Cheguei a ver alguns críticos dizerem que esse "Thor" é tão bom quanto o "Superman" do Richard Donner. Só pode ser brincadeira, porque este está muito mais para aquele desastroso filme do "He-Man" em carne e osso, estrelado pelo megacanastrão Dolph Lundgren. Por sinal, é incrível que a adaptação das aventuras do homem de aço, feita em 1978, consiga ter efeitos visuais mais criativos e bacanas do que algo feito com tudo que há de mais moderno em computação gráfica! Ah, velhos tempos...

Cotação: * *

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