quarta-feira, 30 de novembro de 2011

PSDB envia polícia para intimidar "buzinaço" contra o caos no trânsito de Jundiaí

De forma lamentável policiais postaram-se com pranchetas para multar os motoristas que buzinassem ou acenassem com a mão para o lado de fora.

- por Paulo Eduardo Malerba, cientista político e presidente do PT Jundiaí


A atividade que o PT Jundiaí realizou, nesta terça-feira, contra os problemas no trânsito e transporte em Jundiaí foi bem sucedida e bem recebida pelos motoristas e usuários de ônibus que passaram pelo local.

Cumpriu o papel de levar a mensagem de indignação de milhares de pessoas que se movimentam pela cidade todos os dias. A atividade ocorreu no trevo da Avenida Jundiaí, onde, além da própria avenida, há acessos para a Avenida Osmundo Pellegrini (bairro do Retiro), Jardim Samambaia, Malota e Rodovia Anhanguera. Moradores da região nos procuraram para a ajudar na distribuição do material impresso, cujo o título sintetiza a situação vivida em vários pontos da cidade nesta área: “É o caos!”

Como ocorre em todas as manifestações que questionam os governos do PSDB, neste caso o governo Miguel Haddad e do Estado, a Polícia foi deslocada para o local – de forma desproporcional. Às 17 horas havia dez carros da PM, sendo sete da rodoviária. Não autorizaram que o PT estacionasse o carro de som sobre o amplo gramado, embora todas as viaturas e o carro da concessionária Autoban estivessem ali – segundo esta perspectiva policial eles eram autoridades (inclusive a Autoban) e poderiam fazer isto.

Durante a manifestação ocorreram muitos acenos positivos e palavras de apoio dos motoristas e usuários de ônibus. Todos vivem diariamente o problema e sabem da importância de se reivindicar melhorias. De forma lamentável os policiais postaram-se com pranchetas para multar os motoristas que buzinassem ou acenassem com a mão para o lado de fora. Ao questionarmos o capitão da operação, ele nos disse que não tolerariam desrespeito às leis de trânsito.

Ora, havia um contexto de manifestação no local, pacífica e democrática. Uma buzinada tinha este objetivo, de apoio ao movimento e não com finalidade de perturbar ninguém. Mesmo com esta argumentação o capitão repetiu sua intenção. Para nós, este é o típico legalismo de conveniência – ao pretexto de cumprir a lei busca-se criar obstáculo para a participação de pessoas em uma manifestação. Se fossem analisar as diversas situações cotidianas sob esta lógica literal deveria-se montar operações para multar os torcedores que buzinam após a conquista de um campeonato pelo seu time; durante a Copa do Mundo; em carreatas eleitorais, casamentos ou mesmo em cortejos fúnebres onde os veículos andam abaixo da velocidade permitida e atrapalham o fluxo do trânsito. Vivemos num contexto social que deve ser levado em consideração.

Apesar desta atuação - em vão - da Polícia sob ordens do governo PSDB, a mobilização foi positiva e nos anima a seguir para as próximas atividades. A presença maciça de policiamento mostra que incomodamos. O governo municipal, especialmente, está preocupado com a mensagem que estamos levando à população, que potencializa as vozes e a insatisfação de muitos cidadãos.

Nosso próximo compromisso será no Viaduto Sperandio Pellicciari (Duratex), no dia 08/12, quinta-feira da próxima semana, às 17h30. Nossa crítica ao trânsito e transporte possui um viés mais significativo, pois atinge a falta de planejamento urbano na cidade de Jundiaí. No caso do Trevo, a Prefeitura não age junto ao Governo do Estado para solucionar o problema e autorizou diversos empreendimentos imobiliários a poucos metros do local.

Todos continuam fortemente convidados a somar esforços conosco.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

PT promove "buzinaço" contra caos no trânsito de Jundiaí


SEM DESCULPAS

- por Paulo Eduardo Malerba é cientista político e presidente do PT de Jundiaí.

Nesta terça-feira, 29, o PT de Jundiaí sai às ruas para protestar contra os problemas no trânsito e transporte da cidade – congestionamentos excessivos, transporte coletivo inadequado, falta de investimentos bem feitos, entre outros. As consequências, os moradores e frequentadores de Jundiaí sentem no seu cotidiano. O objetivo da manifestação é cobrar providências da Prefeitura e chamar a população ao debate sobre o tema.

Por parte do poder público municipal, que deveria buscar a solução para estas demandas, o que se ouve é um conjunto ensaiado de respostas onde atribui-se a ‘culpa’ pelos problemas à postura do governo federal em incentivar o crédito e facilitar a aquisição de veículos. Já abordei este tema em audiência pública na Câmara Municipal e em outro artigo, ainda assim é necessário explicitar os fundamentos de nossas críticas e a fragilidade dos argumentos do governo Miguel Haddad.

Que as pessoas compraram mais carros e tem acesso maior ao crédito é uma análise correta e, de fato, tais medidas foram fomentadas pelo governo federal. Acrescenta-se o aumento consistente da renda e da massa salarial do trabalhador brasileiro e do baixíssimo desemprego. O crédito (com baixa inadimplência, frisa-se) e o investimento, como temos atualmente no país, são elementos fundamentais para o desenvolvimento econômico em qualquer economia de mercado. Nenhum país cresce de forma sustentável se não houver crédito disponível e, vale lembrar, o Brasil ainda está longe do patamar de países desenvolvidos. Não precisa ser um economista heterodoxo para reconhecer a importância destas medidas adotadas no país.

Sob esta lógica, creio que as colocações do governo Miguel Haddad devem ser entendidas como agradecimento ao governo federal, afinal esta expansão econômica do país permitiu, além do aumento da frota, o crescimento da arrecadação em nossa cidade, pois temos uma base produtiva industrial que foi fortemente favorecida pelo aumento do consumo de veículos e aumento do crédito, bem como o comércio de Jundiaí em seu conjunto foi beneficiário destas políticas. Assim, tais empresas empregaram, investiram e contrataram serviços na nossa cidade, como bem sabe a Secretaria Municipal de Finanças.

Mas, parece-me, o argumento da frota de carros foge intencionalmente às duas questões centrais do problema do trânsito em Jundiaí – a falta de planejamento urbano e a má qualidade do transporte coletivo.

Com um orçamento bilionário - como Jundiaí possui - é indefensável ao Prefeito não conseguir organizar a cidade. Não há projeto de médio e longo prazo no município, o desenvolvimento de Jundiaí está subordinado aos interesses dos empreendimentos imobiliários privados e aos negócios das construtoras. Miguel Haddad e seu grupo político (Benassi, Ary Fossen, Parimoschi, etc.) governam a cidade há quase trinta anos, com apenas uma interrupção. Não houve tempo para planejar, para pensar a cidade?

Será que o Prefeito imagina que o cidadão que melhora de vida, que pela primeira vez tem acesso ao crédito bancário, condições de adquirir bens duráveis, não pode fazê-lo? Estará errada a pessoa que compra seu carro, trabalha e paga suas contas em dia? Ou ele pensou que o Brasil continuaria na estagnação econômica dos anos 90?

Em Jundiaí não há incentivo para o motorista deixar o carro em casa e utilizar o ônibus para suas atividades cotidianas. Os ônibus frequentemente estão superlotados e demoram excessivamente devido às baldeações nos terminais. A experiência do transporte coletivo em Jundiaí é cada vez mais desconfortável para o cidadão e o sistema mostra-se ineficiente. Dinheiro existe, tanto no orçamento municipal quanto via governo federal para obras e melhorias. Vieram recursos federais do BNDES para a construção dos ineficazes terminais de ônibus do SITU e a cidade recebeu mais de R$ 116 milhões pelo PAC para melhorar a infra-estrutura urbana. Parte deste dinheiro foi utilizado para obras na Nove de Julho.

Portanto, o problema do trânsito e transporte de Jundiaí está nas escolhas políticas equivocadas da Prefeitura; que gasta mal os recursos que possui, não planeja a cidade adequadamente e mostra-se incapaz de organizar o crescimento urbano. Ao invés de ficar buscando culpados pela sua própria ineficiência, o governo Miguel Haddad deveria buscar soluções para os seus moradores.